O telefone toca pela primeira vez em Piripiri (Telefônica e Telepisa)

Saiba como aconteceu este marco na história de Piripiri

Em que ano foi inventado o telefone? 1860? criado pelo italiano Antonio Meuci ou 1876? com o aparelho patenteado pelo escocês Alexander Graham Bell.

Em 1876, D. Pedro II, Imperador do Brasil, em visita à Exposição Internacional Comemorativa ao Centenário da Independência Americana, examina um esquisito aparelho e aceita o convite feito por Graham Bell. O inventor escocês faz uma ligação do aparelho transmissor a outro aparelho, que tinha D. Pedro II com o receptor próximo ao ouvido. O silêncio foi quebrado com a exclamação incrédula do Imperador do Brasil: “Meu Deus, isto fala!”.

 

Três anos depois, A Cidade do Rio de Janeiro ganhava seu primeiro telefone, construído especialmente para D. Pedro II.

 

O telefone só chegou ao Piauí no início do século XX, em 13 de junho de 1907, no governo Álvaro Mendes. Foram apenas 18 linhas, mas, em pouco tempo, inúmeras residências teresinenses possuiriam o aparelho falante.

 

 

Com o crescente interesse e aquisição de novos aparelhos, um jornal de Teresina publicou: “Para se falar regularmente ao telefone, é preciso não falar alto e sim em voz natural e afastado do aparelho um palmo, aproximadamente. Acabada a conversa, as pessoas deverão colocar o receptor na forqueta do aparelho e dar, após, meia rotação na manivela, para fazer ciente a estação de que já terminaram a comunicação.”

 

Em 1937, Teresina passa a usufruir do sistema de telefonia automática. O novo sistema foi inaugurado pelo Governador Leônidas Melo.

 

 

Com o telefone automático, a tranquilidade dos lares teresinenses estava ameaçada com a ocorrência cada vez mais frequente dos desagradáveis trotes. A situação tornou-se insustentável a ponto de o Diário Oficial do Estado publicar, na edição de 20 de maio de 1937, o aviso oriundo da Diretoria das Obras Públicas: “O Serviço Telefônico avisa que em virtude de abusos verificados por muitas pessoas que se utilizam dos aparelhos, resolveu controlar o serviço de ligações. Por esse controle verificará de quais aparelhos partem tais abusos. Os mesmos serão desligados e o assinante perderá a caução e terá o nome publicado no jornal".

 

Em 07 de dezembro de 1960, no Governo Chagas Rodrigues, é criada a Telepisa (Telecomunicações do Piauí S/A).

 

 

 

            Enquanto o mundo desfrutava dos benefícios do telefone, Piripiri aguardava ansiosa a chegada do maravilhoso invento.

 

Atendendo aos anseios da população, um grupo de ilustres piripirienses funda a “Telefônica de Piripiri”.

 

Nonato Melo, um dos fundadores, vendeu os primeiros trinta aparelhos para a população. Algumas pessoas tinham medo de comprar os aparelhos, pois foram vítimas de um vendedor de Tianguá-CE, que vendera cerca de dez aparelhos telefônicos, prometendo a instalação de uma central. O caixeiro cearense nunca mais apareceu.

 

A primeira sede da “Telefônica de Piripiri” foi instalada numa modesta casa, vizinha ao “Clube da Raposa”. Hoje, no local das duas casas, há um só prédio, ocupado pela loja “Arrudão”. 

 

 

O sistema funcionava assim: inicialmente foram instaladas três caixas, cada uma com saída para dez aparelhos telefônicos. A central se comunicava com os aparelhos através de fios de chumbo, esticados em postes de madeira. Em Piripiri não havia postes de concreto. A Cepisa só chegaria a Piripiri alguns anos mais tarde.

 

 

 

Raimundo Nonato de Brito, homem de memória privilegiada, lembra que, no dia primeiro de abril de 1966, os senhores Otílio Resende (1º presidente), João Evangelista de Melo, Aristóteles Portela, Cícero Medeiros, Valdecy José de Sousa, Antônio Bezerra de Melo, Nonato Melo e Outros notáveis piripirienses inauguraram a “Telefônica de Piripiri”.

 

 

A primeira ligação, feita pela central, teve como emissor o vice-prefeito Antônio Bezerra de Melo. Do outro lado da linha, na Rua Pires Rebelo, na casa de nº 386, próximo à Igreja Matriz, Zélia de Cruz Castro Bezerra Melo observava, ansiosa, o aparelho telefônico.

 

Repentinamente:

 

Triiim... triiim... triiim...

 

Dona Zélia lembra, como se hoje fosse, as primeiras palavras “cantadas” ao telefone por seu marido Antônio Bezerra de Melo.

 

- Alô!

 

- Alô, Zélia, sou eu, o Antônio! Estou ligando aqui da inauguração da Telefônica! Piripiri está de parabéns com esse fabuloso meio de comunicação!

 

 

Um fato curioso, ocorrido nos primeiros anos da “Telefônica de Piripiri”, foi a queda de um raio próximo à Praça da Bandeira. Na hora da descarga elétrica, Dona Salete Portela, falava ao telefone, na residência de seu irmão, Aristóteles Portela. Por causa da precariedade do sistema, houve um incidente inusitado: o transmissor do aparelho telefônico ficara por alguns instantes “grudado” à sua orelha. Episódio semelhante acontecera com a telefonista Albaniza Alves, no prédio da Telepisa, no Morro da Saudade.

 

Os primeiros funcionários da “Telefônica de Piripiri” foram: Flaubert Portela (1º gerente) Vânia Portela, Raimundo Nonato de Brito (Nonato da Telepisa), Elisa Guimarães, Edson Canuto. O Sr. Edson Canuto trabalhava à noite e entregava as contas de telefone ao dia. O sistema só funcionava até a meia-noite. Para se usar o telefone, ligava-se primeiro ao posto (nº 102) e informava-se o número pretendido.

 

 

 

 

            Em 1968, a sede da “Telefônica de Piripiri” é transferida para o prédio onde hoje está instalada a Agespisa, no Morro da Saudade.

 

 

Os piripirienses estavam orgulhosos com o civilizado meio de comunicação. Mas havia um inconveniente: as ligações só podiam ser feitas dentro da própria cidade; e a cidade ainda era pequena. O telefone era um bem de luxo, usado por poucas pessoas. Não era uma necessidade.

 

Para instalação de sua sede, em definitivo, a “Telefônica de Piripiri” construiu um prédio, no encontro das ruas Santos Dumont com a Coronel Antônio Coelho, mas não chegou a ocupá-lo, pois, meses antes de sua mudança, a Telepisa encampou a empresa “Telefônica de Piripiri”. O prédio, hoje, é ocupado pelo SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

 

A Telepisa - Telefones do Piauí S/A (primeiro significado da sigla), uma empresa de economia mista, com 51% das ações de propriedade do Estado, começou a funcionar em 23 de agosto de 1969, com cerca de cem aparelhos telefônicos. Temporariamente, ocupou o prédio em que funcionou a extinta “Telefônica de Piripiri”, no Morro da Saudade, enquanto seu prédio próprio estava sendo construído no terreno onde, provavelmente existiu o Hotel de Dona Santilha ou a casa do poeta Lolô Freitas, na Praça da Bandeira. A mudança, no entanto, aconteceu antes do previsto, devido a um incêndio nos fundos do prédio (no Morro da Saudade), ocasionando a perda dos cabos.

 

Ainda no prédio da Agespisa (Morro da Saudade) a Telepisa instalou uma mesa semiautomática, da Siemens, com capacidade para 300 telefones. Os telefonistas tinham de saber, de cor, os números de todos os assinantes, pois o sistema funcionava assim: alguém ligava, acendia-se uma luz na mesa, acusando a ligação à central; o telefonista entrava em contato com o usuário, que manifestava seu desejo de falar com outro assinante, sendo prontamente atendido pelo telefonista que conhecia os nomes e os números de todos os assinantes. 

 

 

Os assinantes, pela primeira vez, receberam os catálogos telefônicos. As ligações agora poderiam ser feitas para todo o Brasil. Piripiri não estava mais isolada do mundo.

 

 

 

 

 

 

 

            Foram tempos difíceis, os primeiros anos da Telepisa, Francisco Alves de Oliveira (o “Chico Pitombão”) recorda que o único meio de transporte, oferecido pela empresa, eram duas bicicletas. Eles tinham de pedalar e sustentar a escada no ombro.

 

            Caprichoso, Francisco Alves usava seu próprio transporte, uma monareta comprada por Cr$ 120,00, no dia 15 de janeiro de 1967, antes de ele ser contratado pela Telepisa. Só anos mais tarde, veio o primeiro automóvel, um fusca.

 

 

            De acordo com a última monografia publicada pelo IBGE, Piripiri possuía, em 1982, 582 aparelhos telefônicos.

 

 

            Em 1982, os telefones de Piripiri possuíam apenas três números.

 

 

 

 

 

 

            Em 1985, foi acrescido um “3” aos números já existentes:

 

 

 

            Em 1989, mais uma mudança, criou-se o prefixo “261”, conservando a numeração anterior.

 

 

 

 

            Em 1993, o prefixo “261” é substituído por “276”, mudando-se também todos os números.

 

 

 

 

 

            A Telepisa foi privatizada em 29 de julho de 1998, passando a se chamar “Telemar Norte Leste S/A”. Muitos postos foram “abandonados”.

 

 

            Em 06 de novembro de 2005, a mudança final, acrescentou-se novamente um “3” ao prefixo “276”.

 

 

            Em 2007, o grupo OI (telecomunicações) assume o comando da empresa.

 

→ Crédito: Informações prestadas por Zélia de Cruz Castro Bezerra Melo; Luiz Mário de Morais Getirana; Raimundo Nonato de Brito, Lúcia Cruz Holanda, Gerardo Furtado de carvalho e Francisco Alves de Oliveira. Fotos de Zélia de Cruz Castro Castro Bezerra, Kenard Kruel, foto do site http://arlsalvaromendes.wordpress.com, fotos escaneadas de catálogos telefônicos e da monografia Piripiri-PI IBGE, foto do site http://vejapiripiri.com e acervo próprio. Livro: Memórias de Piripiri – Cléa Rezende Neves de Mello; 100 Fatos do Piauí no Século 20 – Zózimo Tavares; Monografia Piripiri-PI - IGBE. Acesso aos sites: http://www.tjpi.jus.brhttp://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-do-telefone/historia-do-telefone.phphttp://acervoatitofilho8.blogspot.com.br/2012/02/o-automatico.html ehttp://arlsalvaromendes.wordpress.com/

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