Como surgiu o monoteísmo ?

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De acordo com o Pew Research Center, mais da metade do mundo é adepto ao cristianismo, ao islamismo ou ao judaísmo. Essas religiões são todas monoteístas, ou seja, envolve a adoração de apenas um Deus.

Mesmo que, à primeira vista, o cenário seja comum, a compreensão moderna do monoteísmo, acredite ou não, é um fenômeno recente, tão recente quanto as religiões que acabamos de descrever.


Como surgiu ?

A resposta é um pouco complicada. Para muitos pesquisadores, o monoteísmo não surgiu com o judaísmo, nem o cristianismo e nem o islamismo. O conceito, dependendo de como o definimos, pode ter surgido milhares de anos antes dessas religiões ou centenas de anos depois. Para entender melhor o tema, precisamos voltar ao passado.

De uma forma geral, sabemos que, muitas religiões antigas eram politeístas. Civilizações que pertenceram à Mesopotâmia – ou o antigo Egito -, a Grécia, a Roma, África ou o antigo Israel, em algum momento da história, adoravam muitos deuses. Mas se analisarmos a fundo, a realidade acaba sendo uma só. Mas como isso é possível ?

De acordo com Andrew Durdin, pesquisador da Florida State University, “quando você olha para a história da humanidade, a distinção entre politeísmo e monoteísmo meio que se desfaz”. Em todas as culturas, panteões ou grupos de divindades específicos de uma religião em particular, eram frequentemente descritos como expressões da mesma entidade divina.

Confuso? Pense, então, nos cristãos, que adoram a Santíssima Trindade – o pai, o filho e o espírito santo. Para mais historiadores, as três divindades são, nada mais, nada mesmo, que diferentes manifestações de Deus. O mesmo padrão é visto em inúmeros documentos históricos. Quer outro exemplo? No segundo milênio a.C., o antigo poema épico da Mesopotâmia, “Enuma Elish”, aponta o deus principal de Marduk com 50 nomes distintos.

Como Jan Assman escreveu em seu livro “Religions of the Ancient World: A Guide” (Belknap Press da Harvard University Press, 2004), os atos de descreverem inúmeros deuses, acaba, de uma forma ou de outra, implicando em uma única manifestações que usufrui de uma pluralidade para se referir a um único Deus.

Conceito

O conceito de unidades divinas não era exclusivo da Mesopotâmia; esse mesmo conceito existia na Grécia, no Egito e em Roma. Na Roma antiga, por volta do século III a.C., um grupo de filósofos conhecidos como estóicos afirmavam que havia apenas um Deus, cujos nomes apenas diferiam de acordo com seu papel nos céus e na Terra.

Para Assman, o monoteísmo foi influenciado pela conexão entre as civilizações. O historiador acredita que a crença em apenas uma unidade divina surgiu com a união da humanidade, que, em algum momento, passou a traçar e estabelecer conexões entre seus próprios deuses e os de outras sociedades. Em suma, acabaram acreditando que todas as expressões faziam parte do mesmo conceito.

Neste contexto, os movimentos religiosos começaram a exigir adoração exclusiva de um Deus que fosse capaz de emanar a mesma fonte sagrada. Quando esse movimento de unificação foi observado, os pesquisadores o definiram como “monoteísmo evolucionário” ou “monoteísmo filosófico”.

Obviamente, a transição levou tempo e esse tempo varia de acordo com as civilizações. Em geral, os estudiosos acreditam que foram necessários séculos para que a crença de que apenas um Deus existe se consolidasse.

É importante frisar também que, antigamente, as pessoas não se consideravam monoteístas ou politeístas. “Não acho que fosse algo em que as antigas civilizações estivessem realmente interessadas”, disse Matthew Chalmers, teórico da religião na Northwestern University, em Illinois, Estados Unidos.

Raízes

Para que o monoteísmo criasse raízes, os movimentos religiosos passaram a exigir que seus seguidores deixassem de adorar outros deuses. O processo, desenvolvido de uma forma significativa e estratégica sobre esses períodos da história, acabou validando-se e as religiões começaram a declarar que só havia um Deus

Estabelecer o monoteísmo, de acordo com alguns historiadores, partiu não só dos movimentos religiosos como também das elites. Como antigamente possuir um texto religioso tornou-se uma marca de status social, os estados começaram a apoiar movimentos religiosos específicos, ou seja, aqueles que adoravam apenas um Deus.

Mesmo com todo esse processo transicional, o termo monoteísmo (o termo, não a prática) começou a ser difundido em 1660 como uma forma de explicar porque algumas sociedades eram “civilizadas” e outras eram “primitivas”.

Em poucas palavras, vale lembrar que o que se notou, ao longo da história, foi uma transição de crença e que, dependendo do conceito que usamos para validar a palavra monoteísmo, a morfologia, em si, acaba caindo por terra.

Afinal, nem todos historiadores e civilizações concordam que o Cristianismo, a maior religião monoteísta ostensiva, é, realmente, monoteísta. De acordo com Chalmers, alguns escritores judeus e muçulmanos interpretaram a Santíssima Trindade como três deuses, em vez de um. Para o teórico, a distinção entre politeísmo e monoteísmo foi feita em retrospecto para tentar dar sentido à nossa própria história. “É uma imposição moderna, que nos permite mapear o monoteísmo como um movimento em direção ao progresso”.

Fonte: Fatos Desconhecidos

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