Pesquisa liga uso frequente de Viagra e Cialis a doenças graves nos olhos

O Viagra e Cialis são medicamentos para disfunção erétil usados em abundância ao redor do mundo. No entanto, podem causar sérios problemas

Com pouco mais de duas décadas de chegada no mercado brasileiro, o Viagra já revolucionou a forma como o sexo é tratado. Com o medicamento, assuntos antes pouco discutidos, como impotência sexual e a falta do orgasmo, receberam mais atenção.

A pesquisa Mosaico 2.0, conduzida pela psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, mostrou que perder a ereção aflige cerca de 46,9% dos homens. Ejacular rápido é o pesadelo de 42%, enquanto o maior terror é não satisfazer a parceira ou parceiro para 54,8%.

O levantamento considerou as respostas de 3 mil participantes com idade entre 18 e 70 anos, divididos em cinco faixas etárias. Avaliou-se indivíduos de sete regiões metropolitanas do país: Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Salvador, Porto Alegre e Distrito Federal.

“Existe uma era pré-Viagra e outra pós-Viagra. Após seu lançamento, não só a sociedade passou a falar mais sobre a disfunção erétil como também os homens começaram a entender que era possível tratar o problema, minimizando o constrangimento que sempre acompanhou a temática”, diz o urologista João Afif Abdo, mestre em urologia pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e vice-presidente da Sociedade Latino-Americana de Medicina Sexual (SLAMS).

“Antes, o paciente chegava com queixas muito genéricas, como dores abdominais e incontinência urinária. Era muito difícil para esse homem falar sobre disfunção sexual, ele não abria essa informação nem mesmo para o médico.”

Pesquisa liga Viagra a doenças nos olhos

No entanto, uma pesquisa recente realizada pela Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, divulgada no dia 7 de abril, ressaltou que existe uma ligação direta entre o consumo recorrente de fármacos como sildenafil (nome genérico do Viagra) e tadalafila (Cialis) a doenças graves nos olhos.

Assim sendo, apontou-se que o risco de desenvolver três problemas oculares específicos aumenta de forma considerável, em até 85%, entre os usuários regulares das drogas disponíveis em todas as farmácias do Brasil.

As condições médicas incluem o deslocamento seroso da retina, que é quando há o acúmulo de líquido sob a retina, mesmo sem que exista um rasgo ou ruptura para a passagem do fluido.

Esse é um tipo raro de deslocamento, sendo ligado ao mal funcionamento vascular. Como sintomas, os pacientes percebem o aparecimento súbito de manchas ou imagens flutuando em seu campo de visão. Também podem ver flashes de luz.

Outra condição grave associada ao uso de Viagra é a neupatia óptica isquêmica, que é a lesão do nervo óptico, com ou sem inflamação das artérias. Infelizmente, ela leva à perda da visão, sem chance de ser revertida.

Já a terceira doença identificada no estudo é a oclusão venosa da retina, que é um tipo de trombose. O sangue é levado pela artéria, mas não pode ser drenado, vazando dentro da retina. Portanto, provoca o inchaço e sangramento, o que também é grave. O paciente pode sofrer tanto de visão embaçada quanto do surgimento de manchas escuras e cegueira.

Mudança do fluxo sanguíneo

Acredita-se que a maior probabilidade é que os problemas nos olhos sejam relacionados à forma que os medicamentos para disfunção erétil, como o Viagra, afetam o fluxo sanguíneo.

Isso porque os medicamentos favorecem o relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos, que é a principal estrutura erétil do pênis, e a dilatação das artérias que levam o sangue até eles. Com isso, facilita a entrada do sangue no órgão, o que favorece a ereção, mesmo que não haja estímulo sexual.

Dessa forma, o problema é que o efeito vasodilatador das drogas se estende para todo o corpo, inclusive aos olhos. Logo, essa é a explicação dos efeitos de rosto vermelho ou leve taquicardia em alguns usuários.

O estudo em questão analisou os registros de seguro de saúde de 213.033 homens americanos. Assim sendo, esses indivíduos não apresentaram histórico de doenças oculares até que uma parcela começou o uso regular de medicamentos como o Viagra.

Fonte: Fatos Desconhecidos

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